Cachorro tem as patas decepadas a golpes de foice por vizinho em Confins

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Sansão, da raça Pitbull, segue internado em clínica veterinária; assaltante diz que continuamente bicho pulava muro e avançava nos cães dele

Um cachorro de 2 anos, da raça Pitbull, teve as patas traseiras arrancadas a golpes de foice, nessa segunda-feira (6), em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte. Sansão tomava conta de uma fábrica de ensacados, e o atacante mora ao lado da empresa.

Em conversa com a reportagem de O TEMPO, nesta terça-feira (7), o empresário Joaquim Dias de Souza, de 49 anos, contou que estava saindo da fábrica, às margens da MG-424, quando ouviu um estrondo. 

"Eu estava preparando para ir embora e escutei o faceta falando 'pega o facão'. Não tinha visto que o Sansão tinha saído. Fui até o lote dele, que não tem muro, e ouvi o grito do cachorro, provavelmente na hora que as patas foram cortadas. Caminhei mais um pouco e vi ele e o irmão segurando o cachorro", explicou o possuidor do bicho.

Segundo Joaquim, ao entregar o cão, o varão teria dito: "Eu te avisei que ia fazer isso com o cachorro e você não tomou suas providências". O empresário afirma que o pitbull é dócil e nunca atacou outras pessoas, mas tinha atrito com o cachorro do vizinho, que atende pelo nome de Zé Defunto. 

"Falei com ele que era luta de cachorro, que o Sansão foi detrás do cachorro dele. Foi uma situação triste ao encontrar o meu cachorro, estava saindo muito sangue. A boca dele foi amarrada com arame farpado e também estava machucada. Ele me reconheceu e ficamos juntos até a chegada da veterinária. A gente não sabe por onde ele saiu para ir ao lote vizinho. Eu espero que tenha justiça, isso é uma fraqueza e ele tem que remunerar pelo que fez", afirmou.

Sansão está em uma clínica veterinária de Vespasiano, também na região metropolitana, sem previsão de subida. "Ele estava em um choque hipovolêmico. Tivemos que estabilizá-lo primeiramente para poder levá-lo para uma cirurgia. Ele teve muita hemorragia, foi amordaçado, tem cortes na boca. Agora precisamos esperar ele voltar a fomentar e depois ele vai partir para uma outra lanço com um ortopedista. Vamos ver quando ele vai poder utilizar uma prótese", informou a veterinária Júlia Mara Santiago.

"Eu não vou encarar um pitbull de mãos vazias", diz assaltante

Se por um lado Joaquim diz que não sabe porquê Sansão foi parar no lote vizinho, o varão que agrediu o bicho, Júlio Cesar Santos Souza, de 44 anos, contou que, continuamente, o cão pula o muro e avança nos animais dele. 

"Eu já venho sendo incomodado há bastante tempo, já pedi, já avisei aos donos, fiz boletim de ocorrência e os donos não resolveram. Ontem, ele pulou o muro, invadiu meu terreno e agrediu meu cachorro. Eu não vou encarar um pitbull de mãos vazias. Ele pode ser dócil com os donos dele, mas eu não sou possuinte dele. Peguei alguma coisa para me tutelar caso ele avançasse", explicou o varão.

Júlio César nega que tenha atado a boca de Sansão e afirma que cometeu a agressão sozinho. "Pode ter realizado dele ter retalhado a boca quando pulou o muro. Eu peguei a foice e o agredi. Depois que ele estava com as patas cortadas, eu o puxei para soltar o meu cachorro. Ele estava com a boca no pescoço do meu cachorro. Na hora, eu não pensei em zero, só na minha família. Eu vou esperar sobrevir alguma coisa grave para tomar uma providência? O cachorro não ameaçou minha família, mas os meus cães. O bicho é irracional", alegou.

Júlio mora com a mãe, que é acamada e deficiente visual. A idosa costuma ser colocada no quintal de mansão para tomar sol, o que também preocupava o fruto em relação ao cão.

Problema já tinha ocorrido com Zeus, pai de Sansão

Há dois anos, o pai de Sansão, Zeus, morreu em seguida ser agredido pelo mesmo varão.  "O Zeus teve a poste vertebral quebrada no meio, foi usado um facão. Ele foi levado à veterinária, ela disse que o cão não resistiria e estava sofrendo muito. Optamos pela eutanásia", explicou Nathan Braga, de 21 anos, fruto de Joaquim.

A família registrou um boletim de ocorrência, mas não prosseguiu com a denúncia. Júlio César nega que tenha matado Zeus. Ele afirma que deu um golpe de facão no pai de Sansão, que também invadiu o lote, o bicho ficou paralítico e os donos sacrificaram. "Eu sempre tive temor dele. Quem não tem temor de um pitbull?", indagou.

Envolvidos foram encaminhados ao quartel da Polícia Militar 

Os donos de Sansão e Júlio César foram levados para o quartel da Polícia Militar, onde assinaram um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) e foram liberados. 

"A guarnição fez contato no lugar com as partes envolvidas, e o pessoal foi levado para o quartel. Porquê se tratava de um transgressão de menor potencial ofensivo, com pena subalterno a dois anos, foi feito o TCO, as partes assinaram se comprometendo a comparecer à Justiça quando for determinado. O atacador foi autuado por maus-tratos e dano.  E o possuidor do cachorro por preterição de cautela na guarda", explicou o tenente Leonardo Vieira Souto, comandante do 5º Pelo da 8ª Companhia Independente.

Segundo o militar, quando chamados, os policiais podem orientar as partes envolvidos. A polícia não tem autorização para recolher o bicho.

"A guarnição quando esteve no lugar das outras vezes orientou tanto um porquê o outro a ter desvelo com o bicho. Deixar o cachorro exclusivamente dentro da propriedade. Se tiver que prosseguir com a denúncia é guiado à Polícia Social", detalhou. 

Júlio César afirrmou que tudo aconteceu muito rápido e se mostrou compungido. "Se eu pudesse voltar detrás, não faria isso de novo. Estou pronto para assumir as minhas responsabilidades", finalizou. 

Sobre o caso de Zeus, em 2018, a Polícia Social informou que "que o proprietário do bicho morto dispensou as providências cabíveis, não compareceu à delegacia e não representou pela ameaço. Assim, o procedimento foi arquivado".

Em nota o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) também se manifestou sobre o caso e disse que o roupa já está sendo delicado e que a Polícia Militar será informada para comparência ao lugar.

Trabalhadores da região divergem em relação ao comportamento do bicho.

O caso de Sansão repercutiu entre funcionários que trabalham em empresas próximas ao lugar que o cachorro ficava. "O cachorro é dócil, quando abria o portão, ele saía, mas nunca avançou em ninguém. Quem não fica revoltado com um ser humano que faz isso com um cachorro. Trinchar as patas do cão é revoltante. Tudo se resolve na conversa,  não tinha motivo para ele fazer isso, tem que ter justiça", afirmou o facilitar administrativo Luiz Fernando Vitorino, de 20 anos.

Por outro lado, o supervisor Luciano dos Reis, de 35 anos, que trabalha com Júlio César, afirmou que incessantemente Sansão dava trabalho. "Se tornou um caso recorrente o cão pular o muro e estrebuchar os cachorros do Júlio. Eu contesto que ele seja um cão dócil, já passei em frente à fabrica e ele latia muito. Se não tivesse o portão, ele avançaria. O possessor está incorrecto de não manter o cachorro de forma correta recluso", opinou. 

Repercussão nas redes sociais

A família que cuida de Sansão gravou um vídeo depois encontrar o cão ferido. As imagens repercutiram nas redes sociais. A apresentadora Luísa Mell e o deputado estadual de São Paulo, mandatário Bruno Lima, que lutam pelas causas animais, compartilharam a situação de Sansão e se colocaram à disposição da família.

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